O MENINO HIPSTER

06:30:00

Ilustraçao: Lucas Ribeiro
Desde de que te vi te achei excêntrico e estranho. Dois “E’s” complementares. O seu cabelo enrolado mostrava sua autenticidade. As suas músicas um ponto lírico em meio as confusões amorosas.

As camisas xadrezes e os óculos redondos te faziam o típico hipster que certas garotas deliram ao ver. Mas isso na cidade grande. Em cidade pequena você era apenas um menino muito estranho, que jamais usava bermuda e diariamente tomava café em pleno pico de sol nas cabeças ambulantes.

Quando falava causava risos. Mesmo reclamando da faculdade e da namorada o tempo todo. Você sempre foi engraçado. E sempre andava com as mesmas pessoas. Como se elas te bastassem, como se elas fossem as únicas necessárias naquele momento da sua vida.

Uma era Carol, menina com pesos psíquicos e muito deboche na lábia e Paulo, o garoto inconveniente e solitário que se provava cada vez mais estranho que você. Assim eles te bastavam.

Em uma ligação escutei você gritar: “você nem me beija mais e quer que eu vá te visitar? Pra quê?”. Era sua namorada. Ou então a garota que você não se distanciava e que fazia parte das suas reclamações semanais. Confesso que nunca entendi seu amor pelo desprezo de(s)graça. Horas sentia que era amor demais e horas sabia que de amor, ali, nada havia.

Em um dia chuvoso, você passou pelo corredor e esbarrou em mim. Nos olhamos e sorrimos. Você disse que precisava falar comigo e eu assenti.

Nunca mais te vi.


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